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Ricos em
peixe, minerais e potencial científico, os mares em redor da Antárctica
estão entre as águas mais prístinas do planeta mas as embarcações de
pesca estão a invadi-las.
Os
negociadores no encontro da Comissão para a Conservação dos Recursos
Marinhos Vivos do Antárctico (CCAMLR, pronunciado ‘cam-lar’)
tentarão conter a corrida crescente ao recursos naturais da região, em
jogo está uma das últimas grandes regiões selvagens, bem como a
credibilidade do organismo criado para proteger a vida marinha da
Antárctica.
A CCAMLR
vai analisar quatro propostas para criar vastas zonas marinhas protegidas
(ZMP) que restrinjam fortemente as actividades pesqueiras na região mas a
protecção exige um acordo por unanimidade de todos os membros (24
países e a União Europeia) e alguns, incluindo o Japão e a China, são
famosos pelo cepticismo com que olham para ZMP no antárctico. “Este
encontro é particularmente importante", diz Alex Rogers, biólogo
conservacionista na Universidade de Oxford, Reino Unido. “Se as
propostas forem bloqueadas será um retrocesso grave em todo o processo de
uma década ou mais."
Apenas uma
grande secção das águas antárcticas é actualmente uma ZMP, com cerca
de 94 mil quilómetros quadrados perto das ilhas Orkney do Sul. Os
Estados Unidos e a Nova Zelândia avançam duas propostas rivais para
tornar o Mar de Ross, lar de focas, baleias, peixes, pinguins e outras
aves, numa das maiores reservas do mundo. A pesca comercial no Mar de Ross,
especialmente a da lucrativa marlonga-do-antártico Dissostichus
mawsoni, tem sido um problema para os ambientalistas.
A proposta
americana protegeria 1,8 milhões de quilómetros quadrados, com 800
mil quilómetros de pesca totalmente proibida e uma área de referência
científica para os estudos das alterações climáticas. A proposta da
Nova Zelândia cobriria cerca de 2,5 milhões de quilómetros
quadrados, com pesca permitida em algumas áreas. Os dois países tiveram
em tempos esperança de apresentar uma proposta conjunta mas não chegaram
a acordo.
A Aliança
do Oceano Antárctico, uma coligação de grupos ambientalistas, criticou
ambos os planos: o da Nova Zelândia por comprometer a conservação em
favor da permissão de entrada das suas frotas pesqueiras e a americana por
não abranger suficientes áreas ecologicamente valiosas. A existência de
duas propostas para a mesma região também pode dificultar o acordo e
deixar o Mar de Ross sem qualquer tipo de ZMP, alerta a Aliança.
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Entretanto,
um esforço liderado pelo Reino Unido busca protecção para as
plataformas de gelo em colapso em redor da Península Antárctica. As
águas agora expostas podem ser rapidamente colonizadas por animais,
tornando-as muito atractivas para as frotas pesqueiras, diz Phil Trathan,
chefe de biologia conservacionista no British Antarctic Survey de
Cambridge, que ajudou a desenvolver a proposta. Proteger essas águas
permitiria estudar de que forma os ecossistemas marinhos se alteram depois
do colapso do gelo, algo que se espera aconteça cada vez mais depressa
com o aquecimento do planeta. “Percebemos muitas das questões físicas
relacionadas com as alterações climáticas", diz Trathan. Mas “uma
das questões cruciais são as consequências ecológicas".
A Austrália
submeteu a quarta proposta, que criaria uma rede de reservas em redor do
leste da Antárctica. “Todas são cientificamente correctas", diz
Andrew Wright, secretário executivo da CCAMLR, sediada em North Hobart,
Austrália. Mas o sucesso está longe de estar assegurado: “Estamos
perante uma decisão política", diz Susie Grant, conservacionista no
British Antarctic Survey.
Se as
propostas não obtiverem consenso no final do encontro anual a 1 de
Novembro, podem em princípio ser passadas para o encontro do próximo ano
mas a necessidade de unanimidade significa que a sua rejeição, na
prática, mata estes ou outros planos semelhantes até que haja
alterações significativas de ideologia política. Sem acordo este ano,
diz Grant, “a CCAMLR terá que considerar cuidadosamente o que isso
significa para o compromisso que fez com a conservação".
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